Índia – a trilha do sagrado, percorrida entre 4 e 11 de julho de 2015

Chegamos à Índia, mais precisamente na cidade de Chennai, às 8h30 do sábado, 4 de julho, vindas de Dubai, Fazia um calor intenso, tão intenso quanto em Dubai, porém muito mais úmido
Fomos diretamente para o hotel, dormimos um pouco, e saímos para um city tour, às 15h daquele dia, que começou por um dos muitos templos dedicados a Muruga. pudemos observar as características arquitetônicas que se repetiriam em todos os templos de Muruga: todos eles se parecem com as pirâmides escalonadas do México, muito coloridos, revelando uma abundância de tons que preenchem você na mesma intensidade que a energia de Muruga.

Seguimos para o Templo de Lakshimi, encravado em um enorme pátio onde circulava muita gente, muitos devotos, de todas as idades, e onde prevalecia um cheiro muito precioso para mim, o jasmim, por causa dos colares feitos pelas mulheres que ficam nas portas dos templos e são adquiridos pelos fiéis como parte das oferendas que sempre depositam aos pés das divindades cultuadas.
Senti que ali começava verdadeiramente a minha peregrinação pela Índia, no templo de uma das muitas faces da Mãe. Andamos silenciosas pelas partes internas do templo buscando absorver a religiosidade fervorosa que iríamos encontrar nos diversos templos visitados nessa jornada. Gente, muita gente, refletindo no semblante devoção, fé, amor, gratidão. Voltamos para o hotel e mergulhamos em uma merecida noite de sono.

O domingo começou claro e, lógico, quente, muito quente, com muito sol. Após o café da manhã, saímos para um longo dia de peregrinação pelos templos ao longo do nosso caminho rumo ao objetivo principal da nossa viagem, a montanha sagrada de Arunachala. Calor, estradas sinuosas e asfalto esburacado nos levaram por 70 quilômetros a KANCHIPURAM, cidade de muitos deuses. Lá mergulhamos nos templos de Lord Shiva, da Deusa Shakti, e de Muruga, todos repletos de devotos, todos muito coloridos, todos exalando o perfume de jasmim, todos nos remetendo a outro tempo, onde a devoção fervorosa se expressa no semblante de cada peregrino.

Rezamos silenciosamente, nos ativemos às explicações sobre o significado de cada um desses locais, explicações que nos fizeram refletir sobre as múltiplas faces de um Deus único, e reveladas pelos olhos e pela mente desse povo que crê, mais do que nenhum outro povo, em sua ligação com o divino e suas múltiplas facetas através da oferenda e da oração.
Após algum tempo conhecendo essa cidade voltamos à estrada e, chegamos a Vellore, local sagrado onde buscamos um pequeno vilarejo de nome Tirumalaikodi, ponto geográfico onde está localizado outro maravilhoso Templo de Lakshimi.

Lakshimi, a Mãe que dá vida a Criação, Lakshimi, a Deusa que encarna a beleza, a harmonia, a alegria do compartilhar, a prosperidade e a abundância em todos os níveis, Aquela que revela a unidade. Ali nos deparamos com a aspecto majestoso de um templo todo de ouro, que resplandecia luz dourada, e que está localizado bem no centro de uma Estrela de 6 pontas, cercado de vegetação. Tudo de uma beleza indescritível.

Ao nosso redor, gente. Um mar de homens, mulheres e crianças numa espera paciente em frente à porta principal. Na parte superior desse imenso portal, uma enorme imagem Dela, a Mãe, gloriosa, imensa, radiante, a anunciar que ao transpor o portal iríamos mergulhar numa outra dimensão, na dimensão onde imperam o amor, a compreensão, a devoção e a gratidão.
Ela está sentada em posição de lótus e abençoa todos que são atraídos pelo seu amor a esse local.

Transpusemos o portal e fomos projetadas para outra dimensão, em que o tempo se diluiu na eternidade, onde a beleza se revelou soberana, onde o pensamento se acalmou, dando lugar ao silêncio, que desvelou o poder da nossa alma; a alma que absorveu as palavras gravadas em enormes painéis ao longo do caminho que leva a Lakshimi, sábias e amorosas palavras que alimentaram de luz todo o nosso ser. Caminhamos ao som do mantra sagrado OM NAMO NARAYANI – EU ME RENDO À MÃE DIVINA, mantra que penetrou cada vez mais fundo nossas entranhas até começar a reverberar no fundo do nosso ser.

Tudo ali é grandioso, tudo reflete a perfeição do símbolo por onde caminhamos, a Estrela de 6 pontas, a geometria sagrada que dá vida à manifestação da perfeição. Caminhamos devagar, refletindo sobre o teor das mensagens contidas nos altos painéis, mensagens de Sakti Sri Amma e de outros líderes espirituais de outras partes do mundo, olhando sempre para o templo que parecia, ao longo da caminhada, cada vez mais distante; a cada trecho percorrido, encontramos uma barreira que nos convidava a parar, sentar e refletir, refletir sobre o significado da nossa presença ali, sobre nossas vidas, nossas dificuldades, nossas tristezas; finalmente chegamos à presença da Mãe e nos ajoelhamos à frente do seu altar; ali ela permanece recolhida em um nicho de ouro reluzente refletindo a serenidade e a placidez Daquela que compreende, que conhece cada um de seus filhos, conhece o caminho de todos, Aquela que acolhe a todos para lhes devolver o sentido exato da vida, a magia do amor, a beleza do compartilhar, a alegria da generosidade, a calma contida no estado de paz, paz que nos invadiu quando o sadu tocou nosso terceiro olho com o vibute da Mãe.

Levantamo-nos, agradecemos, agradecemos muito, e retornamos serenas pelo mesmo caminho, pelos mesmos corredores da mesma estrela, sentindo a liberdade de ser que resgatamos nesse templo. Ali nos sentimos prontas e abençoadas para mergulhar na Montanha Sagrada – Arunachala. Voltamos à estrada, para percorrer os últimos 80 quilômetros até o propósito maior que nos levou à Índia: THIRUVANNAMALAI, o local onde se encontra o principal TEMPLO DE MURUGA aos pés da MONTANHA SAGRADA DE ARUNACHALA.

Chegamos à pequena cidade quase ao anoitecer, mas isso não nos impediu de ver a montanha. Linda visão! Os últimos raios de sol ainda iluminavam seus contrafortes e, silenciosamente, comecei a rezar, pedindo ao espírito dessa montanha que iluminasse nossas mentes e nos revelasse como melhor poderíamos servir.

Chegamos ao nosso hotel longe do burburinho da cidade. Local tranqüilo, com muito verde, onde reinava muita paz. Instalaram-nos em pequenos chalés dispostos em alamedas repletas de plantas; foi um alívio depois da sensação de calor que nos acompanhou durante todo o dia. Recolhimento, sono profundo!

Dia claro, despertamos de um sono reparador para irmos, pela primeira de muitas vezes, ao famoso Templo de Muruga, aos pés de Arunachala. Diferente dos dias que se seguiram, quando sempre nos deparávamos com centenas de fiéis, não encontramos nessa primeira visita nenhuma multidão. A sensação foi a de que penetrávamos um espaço onde o mundo da ilusão não tinha poder, onde a luz imperava soberana, onde seres vigilantes preservavam aquele local que ao longo de 6.000 anos foi preparado para dar suporte à iluminação da humanidade.

Percorremos silenciosas toda a parte externa desse imenso templo onde pairam majestosas 9 torres, representantes silenciosas dos 9 planetas: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão; nove forças que recebem e doam virtudes, qualidades que, somadas, integradas, alimentam a unidade a ser manifestada por cada um de nós.

Após um tempo, sentamos de frente para a montanha e deixamos nosso olhar vagar por ela, para absorver cada detalhe, para sentir no fundo dos nossos corações o espírito que a nutre e sustenta pela eternidade. Dentro dela existe um cálice de ouro, idêntico, segundo Carmen Balhestero, nossa líder e amiga, ao que existe nas entranhas de Monte Shasta. O que esta “coincidência” nos revela?

Recebemos, com muita emoção, as mensagens de Pena Branca e de Saint Germain que, a partir daquele momento, nortearam nossos passos, nossos pensamentos, nossas intenções por aquele local sagrado. Seguimos para o Ashram de Sri Ramana Maharshi, um dos maiores sábios da Índia, que atingiu a iluminação em 14 de abril de 1950, e cujo corpo físico permanece intacto até hoje em uma das salas desse local. Local de fé, de devoção, de muita oração; local onde se encontram fiéis de todo o mundo, diferente do restante do sul da Índia, onde não vimos estrangeiros, fiéis que lá estão buscando a resposta à grande indagação que Sri Ramana revelou: Quem sou eu?

Local que transpira santidade, a santidade revelada por Sri Ramanda após o longo caminho que ele percorreu na busca da iluminação. Seus ensinamentos preciosos podem ser encontrados na forma de livros que pudemos adquirir numa pequena livraria na saída do Ashram.

Voltamos ao templo no final da tarde, para receber as bênçãos que acontecem todos os dias às 18h, e assim fizemos até o último dia de nossa estada em Tiruvannamalai.

Daí para frente nossos dias se resumiram em rezar. Todos os dias levantávamos cedo e saíamos do hotel para dar 3 voltas na montanha sagrada, rezando, rezando, rezando, como Saint Germain nos solicitou. O trajeto envolve 14 quilômetros! 14km em que nos retirávamos do burburinho do mundo do caos para penetrar no silêncio de nossos corações e, assim, ouvir o espírito da montanha, sentir a montanha, reconhecer a luz ali ancorada, o propósito nela contida e o poder de nossas orações.

Uma hora e quarenta minutos levava nosso percurso diário; uma hora e quarenta minutos em que saíamos dos nossos pensamentos, das nossas preocupações, das nossas rotinas para viver o aqui e agora, o momento presente, repleto de magia. Após o trajeto, rumávamos para o Templo, e ali continuávamos nossas orações e ouvíamos as mensagens do Mestre.

Ali ele nos fez compreender o propósito que nos levou à montanha, ali ele nos mostrou a importância de nos centrarmos na força do amor, alimentar o cálice que eleva a fé na consciência humana, atrair a chama do governo oculto do mundo para ser ancorada nos governos da terra, precipitar a luz da paz vivenciando nossa paz interior, buscar as mudanças que levam a ascensão e a maestria, sobrepor o plano divino ao plano tridimensional, levar e expandir a força de Arunachala para acelerar as transformações individuais e coletivas em nosso planeta.

Na terça-feira, no final da tarde, finalmente conseguimos entrar nas dependências internas do templo, que é circundado pelas 4 torres maiores, representantes do leste, que se acha à frente da porta principal, do sul, à esquerda da construção, do norte, à sua direita, e do oeste, ao fundo. Ali fomos seguindo um caminho previamente traçado, por onde passam todos os fiéis, e que leva aos inúmeros altares, catorze, mais precisamente, todos repletos de gente, que colocam oferendas e recebem bênçãos dos sadus.

Ao retornar nos deparamos com um pequeno local quadrado fechado por paredes de vidro que deixavam ver um sadu mantendo acesa as chamas aos pés de 9 divindades, espíritos dos 9 planetas cujo segredo continua resguardado. Saímos para novamente rezar e receber bênçãos nas dependências externas do templo. Tanta magia, tanta devoção, tanta oração, tanta gente reverenciando aquele local que ilumina mentes e corações, que transforma pelo poder do amor, que devolve a sabedoria e revela o valor do verdadeiro poder.

E, no penúltimo dia, finalmente nos foi dado acesso direto à montanha. Sim, naquele dia pudemos pisar a montanha, rezar na montanha, sermos abençoadas na montanha, a montanha sagrada. Alegria, silêncio, introspecção, expectativa, reverência, todos esses sentimentos emergiram em nós. Depois de alguns passos aos pés da montanha, sentamos em algumas das milhares de pedras que fazem parte daquele local. Pedras, vegetação, água, silêncio, paz! E o Mestre falou, falou por um longo tempo, palavras de sabedoria! Lembramos aqui algumas frases que calaram fundo em nossos corações.

“Os caminhos da iniciação levam à transformação da consciência da humanidade. É chegado o momento do despertar em massa da humanidade. A luz do poder de Deus ecoa em todos os Filhos da Terra. Nos próximos 3 anos se consolidará a energia da iluminação. Aqui em Arunachala, muitos focos de luz, muitas energias, muitas orações alimentaram o fogo que consome os limites do ego-personalidade para trazer iluminação para toda humanidade. Arunachala será, cada vez mais, o catalisador da transformação de todos os limites. Através das imagens, dos cânticos que têm sustentado os 6.000 anos de orações, estaremos atuando, acelerando o processo cármico da humanidade. Na luz da Lemúria resgatareis a sabedoria ancestral. É tempo de relembrar quem cada um é; cada um de vós pertence a uma estrela, uma raça-raiz. Que os ventos de Arunachala tragam à tona o novo propósito da raça humana.”

Depois de quase uma hora de ensinamentos, fez-se novamente silêncio; não precisávamos de palavras entre nós; nenhuma palavra poderia refletir a grandeza daquele momento e o sentimento que nos movia. Aos poucos trouxemos nossa consciência de volta ao local escolhido pelo Mestre para selar nossa peregrinação pela Índia.

Senti uma enorme vontade de tirar o tênis e pisar, pisar aquele solo para alimentar as entranhas do meu ser, levando daquele local toda a luz de sabedoria e iluminação que ele contém.

Um fogo percorreu meu corpo, dos pés à cabeça e, olhando mais uma vez para a montanha, percorri o curto caminho que me levou novamente ao barulho e à agitação do mundo da ilusão.

Nada mais a falar, nada mais a fazer. Estava feito. A volta se vislumbrava serena nas nossas mentes e corações.

Jane M. Ribeiro

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